A arquitectura do Estado Novo é um marco incontornável da história da arte portuguesa do século XX, ou pelo menos da história da arquitectura portuguesa do mesmo período. Á partida é redutor fazer-se uma reflexão sobre a arquitectura do Estado Novo centrando-se somente naquela que foi apelidada de “Português Suave”. No regime de Oliveira Salazar existiu uma arquitectura anterior a esta, que aqui chamamos de “Modernismo Efémero”, e posterior, aqui denominada de “Modernismo Revisionista” que são de alta importância não só em termos da contextualização do referido “Português Suave” mas também pelo seu valor intrínseco e características próprias que cada uma tem. Existe no século XX, e finais do século XIX também mas numa escala menor, um grande espontar da afirmação de arquitectos. Cada um destes tem uma marca própria, afirma-se de forma mais evidente o arquitecto como individualidade. Nomes como Cassiano Branco, Cristino, Pardal Monteiro ou Carlos Ramos. Antes destes, e desde o século XIX, é nome incontornável o de Ventura Terra. Todos eles são responsáveis pela tentativa de uma arquitectura que acompanha a par e passo a do resto da Europa, mas este processo vai ser interrompido do seu rumo natural nos anos 40 pelo regime do Estado Novo. Dá-se uma mudança de paradigma, a liberdade de expressão artística e de inovação é substituída por um conjunto de normas e regras, ou seja, por um modus operandi que os arquitectos têm que seguir.
Aliás para sobreviverem, ou pelo menos para terem um lugar de importância no panorama da arquitectura, e especialmente num período em que se lançaram grandes e importantes obras pelo Estado os arquitectos foram mesmo obrigados a seguir o modelo. Neste documento tentar-se-á fazer uma abordagem à evolução da arquitectura de Lisboa, afinal capital de um império, durante o regime do Estado Novo, não descurando o que há nos períodos próximos do mesmo. A arquitectura de menor destaque, ou menores dimensões, também será focalizada, até porque esta deriva, ou tem génese na importante arquitectura de fachada do ecletismo: o conceito de aplicação de elementos decorativos em fachadas mantém-se nesta.